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Sayu Sakis

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Eu não sei como fui parar na live dela… mas ali começou uma rotina que eu não esperava ter.

O YouTube tem esse talento meio cruel de te entregar, num sábado qualquer, uma recomendação que parece inocente — e quando você percebe, virou hábito. Eu cliquei “só pra ver” uma live que apareceu na minha tela: Dark Souls 1 — episódio 1. Primeira live da série. Começo mesmo, sem contexto, sem promessa grandiosa, sem “galera hoje vai acontecer isso e aquilo”.

Só uma streamer, um jogo que não perdoa, e um chat que parecia já estar sentado junto antes de eu chegar.

Eu entrei como quem passa na porta de um bar e escuta risada lá dentro. Olha, avalia, pensa “não é pra mim”… e fica.

A Sayu (Sayu Sakis, pelo menos é assim que eu conheci) não tinha aquele ar de “performance pronta”. Ela não estava tentando parecer simpática. Ela era. E tem uma diferença brutal nisso. Quando alguém novo entrava, ela não fazia o agradecimento automático, aquele “obrigado, bem-vindo” que serve pra todo mundo e pra ninguém. Ela perguntava. Puxava conversa. Fazia a pessoa existir ali dentro. Como se o chat não fosse plateia: fosse sala.

Eu não lembro exatamente em que momento a live deixou de ser “a streamer jogando” e virou “um lugar”. Mas eu lembro do efeito: eu comecei a voltar.

E voltar, nesse caso, é um compromisso perigoso. Porque a mulher faz live como quem bate ponto: seis, sete, oito, dez horas. Quase todo dia. Você entra pra ver um boss e, quando dá por si, já pegou o ritmo do chat, já sabe quem tá sempre ali, já reconhece os nomes, já sabe o jeito de cada um. Tem um núcleo fixo que aparece sempre: gente que fala, gente que fica no lurk, gente que surge só pra jogar uma piada e sumir de novo. E tem os mods — que eu nem consigo chamar de “mods” direito, porque na prática eles são personagens recorrentes de uma história coletiva.

O mais engraçado é que quando um deles não aparece, o chat estranha. Perguntam. Cobram. Como se o elenco estivesse incompleto. Isso não é comum. Normalmente, em live, as pessoas passam e vão embora como quem troca de canal. Ali, não. Ali parece que tem mesa marcada.

E como toda mesa marcada, tem as piadas internas. Tem umas sobre calvos e outras sobre maguinhos — e eu vou ser justo com a tradição: não vou explicar. Não porque é segredo, mas porque piada interna explicada morre sem graça. Quem quiser entender vai ter que fazer o caminho certo: ir assistir e tentar sair. Porque o problema é esse… depois que você entende, você ri. E depois que você ri, já era.

 

O curioso é que, pelo que eu fui percebendo, essa comunidade não nasceu grande. Por três anos, a Sayu ficou fazendo stream na Twitch com um público pequeno — pequeno daquele jeito que assusta quem vive de número, mas grande do jeito que importa quando você vive de gente. Fiel. Presente. Do tipo que volta. Do tipo que te dá energia quando o algoritmo não dá.

E ainda assim… teve um momento em que ela quase parou.

Ano passado, ela chegou a cogitar desistir. Não como drama, mas como exaustão real de quem tá remando sem ver margem. E eu entendo. Porque consistência, sem retorno, vira um tipo de silêncio. E silêncio cansa.

Só que aí, nos últimos meses, ela começou a streamar no YouTube também. E foi como se alguém tivesse acendido a luz do lado de fora. O público cresceu. O alcance aumentou. De repente, aquele trabalho que parecia existir num canto do mundo começou a bater em mais gente. E dá pra sentir a diferença: a energia de quem voltou a acreditar.

Talvez por isso o canal tenha ficado ainda mais “de projeto”. Em novembro, ela emendou uma maratona pesada: Dark Souls 1, 2 e 3, depois Elden Ring. Uma sequência que, pra quem gosta, vira jornada; pra quem não conhece, vira curiosidade; e pra quem acompanha, vira série. Você não entra mais pra “ver uma live”. Você entra pra ver o próximo capítulo.

E agora ela começou outra maratona: Resident Evil, do 0 ao 9 — todos os oficiais, na ordem, como quem monta uma linha do tempo e convida o chat pra atravessar junto. E é isso: atravessar junto. Porque o conteúdo ali não é só o jogo. É a reação. É o chat. É a cultura do lugar. É o “a gente tava aqui quando…”.

Eu não planejei acompanhar nada disso. Eu não fui procurar streamer de terror, nem “soulslike player”, nem “maratona de franquia”. Eu só cliquei num vídeo recomendado e caí num espaço que parecia ter uma regra invisível: se você entrar de verdade, você vira parte.

E quando você vira parte, a live deixa de ser entretenimento. Vira rotina. Vira companhia. Vira aquele tipo de presença que, num mundo barulhento, surpreende por ser simples: alguém ali, todo dia, construindo algo com pessoas reais do outro lado.

Eu ainda não sei como fui parar naquela primeira live de Dark Souls 1. Mas eu sei por que eu fiquei.

Por que eu tô escrevendo isso?

Porque eu acho fácil a gente cair naquele discurso de “persistência” e “não desista” como se fosse frase pronta.

Mas ver isso acontecer de verdade — alguém que ficou três anos, com público pequeno porém fiel, quase desistiu, e encontrou uma virada ao expandir pra outra plataforma — é diferente.

E eu, que entrei por acaso numa recomendação do YouTube, acabei virando parte de uma rotina que eu nem sabia que queria.

Se você gosta de terror, soulslike, maratonas longas e live com clima de comunidade (de verdade), vale conhecer.

Pra quem quiser conhecer (por sua conta e risco):

Linktree (todas as redes/Discord): https://linktr.ee/SayuriSakis

YouTube: https://www.youtube.com/@sayurisakis

Twitch: https://www.twitch.tv/sayu_sakis

Instagram: https://www.instagram.com/sayusakis

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